Episódio 1 – Vaginas cinquentonas

A estreia do Matusa reúne duas sexólogas e ginecologistas. É apresentado pelas jornalistas Bell Kranz e Mari-Jô Zilveti. A edição de áudio é de Alandson Silva. E o design gráfico está nas mãos de Paulo Labriola.

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A falta de desejo sexual não tem nada a ver com a idade. O desconhecimento do próprio corpo (o que é muito comum entre a nossa turma) é um dos grandes responsáveis pelo desinteresse por sexo. Vamos sensualizar? Duas ginecologistas top, especialistas em sexualidade, dão o mapa da mina.
Elas revelam as principais dúvidas e os grandes equívocos das mulheres mais velhas, tenham elas parceiro ou não, sejam hétero ou homossexuais.

Mais: no Brasil houve um crescimento no número de cirurgias plásticas íntimas em 2017, registrando uma alta de 23% em relação ao ano anterior. Os procedimentos são conhecidos por rejuvenescimento vaginal e labioplastia, e os dados são da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps). O levantamento das estatísticas é baseado em questionários enviados aos associados da entidade, que conta com mais de 35 mil cirurgiões plásticos em todo o mundo.
A ginecologista, obstetra e sexóloga Tânia das Graças Mauadie Santana relata que muitas de suas pacientes chegam ao seu consultório preocupadas demais com a estética íntima da genitália. Virou moda e alguém vai ganhar dinheiro com isso. Tânia Santana, que fundou e coordenou o Centro de Referência e Especialização em Sexologia (Cresex) no Hospital  Pérola Byington, acrescenta ainda que uma plástica de vulva gera muita dor e cicatrizes.

“Imagina se, quando o cara tá com o tesão, tá com o pinto duro, com a cara enfiada na xoxota, vai se preocupar se ela está flácida ou ressecada!”

A ginecologista, obstetra e sexóloga Flavia Fairbanks, coordenadora do Projeto Sexualidade (ProSex) do Hospital das Clínicas de São Paulo, detalha que a mulher desconhece a vagina. Muitas pensam que se trata de uma cavidade perdida dentro do corpo, um saco sem fundo. Sem falar nas queixas de falta de desejo sexual.

“Isso não significa que elas não tenham desejo sexual agora. Na verdade, muitas não tiveram vida sexual adequada. Além disso,  a vagina, depois dos 50 anos, tem uma redução de camadas de pele, passando de sete para duas. E isso a deixa mais sensível, além de poder causar infecções.”

As vaginas vão muito além do corpo. Ganharam outra dimensão e se transformaram em exposição. Um artista britânico ousou ao criar The Great Wall of Vagina, uma obra de que inclui dez painéis, cada um com 40 vaginas em formato de gesso, expostas ao longo de oito metros de comprimento. Jamie McCartney, escultor e fotógrafo, recrutou cerca de 400  voluntárias para mostrar como suas genitálias são diferentes. Elas correspondem a uma identidade única. Ele registrou mulheres com vaginas pré e pós cirurgias plásticas de labioplastia. Incluiu órgãos de grávidas e após seus respectivos partos, de mulheres trans e gêmeas idênticas. Reuniu gente de uma ampla faixa etária, que vai de jovens de 16 anos a idosas com 76.
Sua obra, feita com recursos próprios, levou cinco anos para ficar pronta. Foi exposta pela primeira vez em 2011, em Brighton. De lá rumou duas vezes para Londres e também foi parar na Itália, na Triennale di Milano, na exposição Cama, Sexo e Design.
Sua obra gerou polêmica, provocando um debate, questionando se era uma homenagem ao clássico quadro do francês Gustave Courbet, L’origine du monde, pintado no século 19, e que faz parte hoje do acervo do Musée d’Orsay. McCartney diz em seu site que não se trata de erotismo, muito menos de pornografia. Para o público feminino, o painel permitiu ver a genitália de muitas mulheres, uma vez que a própria anatomia dificulta a visão da própria.

2 comments on Episódio 1 – Vaginas cinquentonas

  1. Parabéns pela iniciativa. Tenho 55 anos Gostaria de dizer que conheci um especialista em plástica vaginal sem.dor sem.cicratiz. Via acupuntura. Ele está no México ensinando os médicos de la essa técnica. Minha irmã, que foi jornalista por muitos anos, migrou para a área de estética e se tornou professora universitária. Também aplica a tecnica. Ela mora em.Itu e se dispôs a aplicar voluntariamente em duas mulheres para mostrar a eficiência, e explicar como funciona essas e outras intervenções para estética alternativas às mais comuns
    Não precisa sentir dor. Sou jornalista tbm e posso colocar vocês em contato com ambos. Walter Lara e Magda Ribeiro.

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