Saúde

Episódio 2 – Pênis acima dos 50

O episódio de hoje traz entrevistas com um urologista, um geriatra e um escritor.  É apresentado pelas jornalistas Bell Kranz e Mari-Jô Zilveti. A edição de áudio é por conta de Alandson Silva. O design gráfico está nas mãos de Paulo Labriola.

 

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Desde jovem, o homem confere uma importância enorme ao seu pênis. Quando entra na faixa dos 50 anos de idade, ele começa a notar sinais de mudança na performance do órgão – a seu ver, nada satisfatórias. As alterações ocorrem na ereção, que vai mudando cada vez mais com o tempo comparada àquela potência toda da juventude.

  
Dois especialistas médicos, um urologista e um geriatra, explicam o que acontece com o homem, esse ser tão genitalizado, durante o envelhecimento e como superar os novos desafios na vida sexual. Nosso terceiro convidado especial é o escritor e colunista Xico Sá, famoso pelo seu humor e por transitar com sucesso no universo feminino.  
“Duas coisas  são um termômetro total: a ressaca e a atividade sexual. O homem segue querendo ser aquele moleque de 20 anos. E com todas aquelas piruetas. Acha que sexo é circo é Cirque de Soleil. E não é.”  
Para o urologista, Roberto Vaz Juliano, diretor da Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo e professor da Faculdade de Medicina do ABC, nesse sentido o homem tem o que aprender com a mulher, já que ela se vale de outras fontes de prazer, como o tato e o cheiro, além da vagina, enquanto o foco do homem se mantém no pênis.  
Cabe acrescentar ainda que a disfunção erétil em geral mascara um problema fisiológico, afirma Juliano.  
“Para ter uma ideia, 30% das pessoas que têm insuficiência coronária têm algum problema de ereção.”  
O envelhecimento, porém, não impede uma vida sexual satisfatória.  
Como afirma o geriatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Mauricio Ventura, manter uma vida saudável ajuda a ter uma vida sexual plena.  
“Dá para manter atividade sexual para o homem que fuma quatro maços de cigarro por dia ou bebe meia garrafa de uísque por dia? Vou falar que não.”  
O problema da ereção foi parcialmente resolvido pela indústria farmacológica com o surgimento da popularmente conhecida “pílula azul”, ou Viagra. Há também outros vaso-dilatadores, como o Cialis e o Levitra. São indicados também nos casos do homem que toma medicamentos que interferem com a libido e a ereção, como antidepressivos e anti-hipertensivos.  
 

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Episódio 1 – Vaginas cinquentonas

A estreia do Matusa reúne duas sexólogas e ginecologistas. É apresentado pelas jornalistas Bell Kranz e Mari-Jô Zilveti. A edição de áudio é de Alandson Silva. E o design gráfico está nas mãos de Paulo Labriola.

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A falta de desejo sexual não tem nada a ver com a idade. O desconhecimento do próprio corpo (o que é muito comum entre a nossa turma) é um dos grandes responsáveis pelo desinteresse por sexo. Vamos sensualizar? Duas ginecologistas top, especialistas em sexualidade, dão o mapa da mina.
Elas revelam as principais dúvidas e os grandes equívocos das mulheres mais velhas, tenham elas parceiro ou não, sejam hétero ou homossexuais.

Mais: no Brasil houve um crescimento no número de cirurgias plásticas íntimas em 2017, registrando uma alta de 23% em relação ao ano anterior. Os procedimentos são conhecidos por rejuvenescimento vaginal e labioplastia, e os dados são da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps). O levantamento das estatísticas é baseado em questionários enviados aos associados da entidade, que conta com mais de 35 mil cirurgiões plásticos em todo o mundo.
A ginecologista, obstetra e sexóloga Tânia das Graças Mauadie Santana relata que muitas de suas pacientes chegam ao seu consultório preocupadas demais com a estética íntima da genitália. Virou moda e alguém vai ganhar dinheiro com isso. Tânia Santana, que fundou e coordenou o Centro de Referência e Especialização em Sexologia (Cresex) no Hospital  Pérola Byington, acrescenta ainda que uma plástica de vulva gera muita dor e cicatrizes.

“Imagina se, quando o cara tá com o tesão, tá com o pinto duro, com a cara enfiada na xoxota, vai se preocupar se ela está flácida ou ressecada!”

A ginecologista, obstetra e sexóloga Flavia Fairbanks, coordenadora do Projeto Sexualidade (ProSex) do Hospital das Clínicas de São Paulo, detalha que a mulher desconhece a vagina. Muitas pensam que se trata de uma cavidade perdida dentro do corpo, um saco sem fundo. Sem falar nas queixas de falta de desejo sexual.

“Isso não significa que elas não tenham desejo sexual agora. Na verdade, muitas não tiveram vida sexual adequada. Além disso,  a vagina, depois dos 50 anos, tem uma redução de camadas de pele, passando de sete para duas. E isso a deixa mais sensível, além de poder causar infecções.”

As vaginas vão muito além do corpo. Ganharam outra dimensão e se transformaram em exposição. Um artista britânico ousou ao criar The Great Wall of Vagina, uma obra de que inclui dez painéis, cada um com 40 vaginas em formato de gesso, expostas ao longo de oito metros de comprimento. Jamie McCartney, escultor e fotógrafo, recrutou cerca de 400  voluntárias para mostrar como suas genitálias são diferentes. Elas correspondem a uma identidade única. Ele registrou mulheres com vaginas pré e pós cirurgias plásticas de labioplastia. Incluiu órgãos de grávidas e após seus respectivos partos, de mulheres trans e gêmeas idênticas. Reuniu gente de uma ampla faixa etária, que vai de jovens de 16 anos a idosas com 76.
Sua obra, feita com recursos próprios, levou cinco anos para ficar pronta. Foi exposta pela primeira vez em 2011, em Brighton. De lá rumou duas vezes para Londres e também foi parar na Itália, na Triennale di Milano, na exposição Cama, Sexo e Design.
Sua obra gerou polêmica, provocando um debate, questionando se era uma homenagem ao clássico quadro do francês Gustave Courbet, L’origine du monde, pintado no século 19, e que faz parte hoje do acervo do Musée d’Orsay. McCartney diz em seu site que não se trata de erotismo, muito menos de pornografia. Para o público feminino, o painel permitiu ver a genitália de muitas mulheres, uma vez que a própria anatomia dificulta a visão da própria.