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Episódio 4 – Alimentação após os 50

Matusa fala hoje de nutrição. O que muda na alimentação depois dos 50. Entrevistamos três profissionais de diferentes áreas.  O podcast é apresentado pelas jornalistas Bell Kranz e Mari-Jô Zilveti. A edição de áudio é de Alandson Silva.

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O assunto de hoje é comida –  Muda alguma coisa depois dos 50, 60 anos? Dá para comer a mesma quantidade e até meter o pé na jaca? A  digestão é igual para quem tem 30 ou 60 anos? Para responder a essas questões, entrevistamos Miriam Najas, nutricionista especializada em envelhecimento e professora Escola Paulista de Medicina, na Unifesp, o gastroenterologista Eli Kahan Foigel,  da Federação Brasileira de Gastroenterologia, e o geriatra Carlos André Uehara, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

Najas detalhou que  há uma grande diferença entre envelhecer bem e mal, e isso está diretamente relacionado à nutrição e ao músculo. Quando a mulher começa a envelhecer, a partir do climatério, ela começa a perder massa muscular. No homem, essa perda acontece mais para a frente, a partir dos 60 anos.
Segundo a nutricionista, ter boa musculatura significa ter independência, liberdade para ir e vir, para levantar peso. Quem faz atividade física de enrijecimento muscular vai perder mais lentamente os músculos. O que isso tem a ver com comida? É preciso comer mais proteína animal.
“Numa distribuição de comida no prato, é preciso colocar no prato de 20% a 25% de proteína animal”, Miriam Najas.

À noite, ninguém quer comer carne, diz Najas, pois a proteína pesa, a digestão é mais difícil.

E por falar em digestão, há um fenômeno conhecido pelos gastros que atende pelo nome de polifarmácia. Depois dos 60, dificilmente alguém vai deixar de tomar menos de um remédio. Dois exemplos são os hipertensivos e os medicamentos para problemas cardíacos.

Esses produtos podem causar efeitos colaterais, entre eles azia ou diarreia. “O paciente pode ter problemas no estômago por conta dos remédios que precisa tomar e dos quais não pode abrir mão, como o hipertensivo para quem tem problemas de pressão”, diz Foigel.

Os que têm mais de cem anos – O geriatra Carlos André Uehara cita cinco cidades espalhadas pelo mundo com maior incidência de idosos com mais de cem anos. O geriatra menciona que a boa alimentação, com ingestão de muitos legumes, é a característica em comum dos habitantes desses locais.

Episódio 3 – Os mais velhos nas telas

O episódio de hoje é sobre os mais velhos como protagonistas nas telas: filmes e séries. Entrevistamos o especialista em cinema Sérgio Rizzo. É apresentado pelas jornalistas Bell Kranz e Mari-Jô Zilveti. A edição de áudio é de Alandson Silva.

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Uma revolução nas telas do cinema, da TV, do celular: a multiplicação de títulos em que os mais velhos são protagonistas e deixam aquele lugar de vovô que busca os netos na escola. A trama gira em torno de dramas de um personagem idoso. Isso vem ocorrendo há cerca de 15 anos, segundo o especialista, crítico de cinema e professor Sérgio Rizzo.

Não são filmes sobre idosos. São sobre a vida. Um exemplo é o filme “Poesia”, mencionado por Rizzo, em que uma mulher de mais de 70 anos procura um curso de poesia para frequentar.

“É como se estivéssemos vendo um um arco da vida da protagonista, uma velhinha.”

O crítico deu um curso em outubro de 2018, no CineSesc, em São Paulo, sobre a representação do idoso nas telas no século 21. A partir dessas aulas, Rizzo cita os filmes com foco nos homens solitários, entre eles “Gran Torino” (2008), dirigido e protagonizado por Clint Eastwood. Menciona ainda títulos de jornadas femininas de solidão e redenção, entre eles “Minhas tardes com Marguerite”, de 2010.

Mas vamos ao que interessa: duas dicas. Uma delas é sair de casa para ir ao cinema e depois, por que não tomar um café com os amigos para discutir o filme. Em dezembro de 2018, em algumas cidades do Brail, estreou o documentário “Chá com as damas”, que reúne quatro atrizes britânicas, entre elas Maggie Smith e Judi Dench. É um bate papo em que relatam suas carreiras, vida pessoal e influências em suas respectivas carreiras profissionais. A segunda opção é assinar serviços como Netflix, Prime Vídeo e Now.

No Netflix, há duas séries imperdíveis: “Grace & Frankie”, com Jane Fonda e Lily Tomlin, duas setentonas cujos maridos anunciam que têm um caso há 20 anos e anunciam que vão se casar. No primeiro episódio da primeira temporada, elas perdem o rumo e decidem que precisam morar juntas para uma cuidar da outra.

A segunda série, que entrou no ar em novembro, é “O método Kominksy”, estrelada pelos setentões Michael Douglas, no papel do ator e professor de teatro Sandy, e por Alan Arkin, que faz seu agente Norman. Em  dez episódios, a dupla vive perdas, doenças e angústias do dia a dia. Mais uma vez, a dupla sabe que tomar conta um do outro é uma das chaves para a vida.

Neste mês, o Fifties+, um site pioneiro que trata de vários temas para a turma dos mais de 50 anos, colocou o Matusa no alto da página de abertura para quem quiser ouvir a gente. Mais: há uma matéria que é uma das mais acessadas sobre cinema: Fifties+ recomenda os melhores filmes para maiores de 50! É uma lista com 20 filmes, com sinopses. Serve de referência para procurar o que ver nos sites como Netflix ou comprar um DVD em lojas como Submarino, Americanas e Amazon.

Episódio 1 – Vaginas cinquentonas

A estreia do Matusa reúne duas sexólogas e ginecologistas. É apresentado pelas jornalistas Bell Kranz e Mari-Jô Zilveti. A edição de áudio é de Alandson Silva. E o design gráfico está nas mãos de Paulo Labriola.

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A falta de desejo sexual não tem nada a ver com a idade. O desconhecimento do próprio corpo (o que é muito comum entre a nossa turma) é um dos grandes responsáveis pelo desinteresse por sexo. Vamos sensualizar? Duas ginecologistas top, especialistas em sexualidade, dão o mapa da mina.
Elas revelam as principais dúvidas e os grandes equívocos das mulheres mais velhas, tenham elas parceiro ou não, sejam hétero ou homossexuais.

Mais: no Brasil houve um crescimento no número de cirurgias plásticas íntimas em 2017, registrando uma alta de 23% em relação ao ano anterior. Os procedimentos são conhecidos por rejuvenescimento vaginal e labioplastia, e os dados são da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps). O levantamento das estatísticas é baseado em questionários enviados aos associados da entidade, que conta com mais de 35 mil cirurgiões plásticos em todo o mundo.
A ginecologista, obstetra e sexóloga Tânia das Graças Mauadie Santana relata que muitas de suas pacientes chegam ao seu consultório preocupadas demais com a estética íntima da genitália. Virou moda e alguém vai ganhar dinheiro com isso. Tânia Santana, que fundou e coordenou o Centro de Referência e Especialização em Sexologia (Cresex) no Hospital  Pérola Byington, acrescenta ainda que uma plástica de vulva gera muita dor e cicatrizes.

“Imagina se, quando o cara tá com o tesão, tá com o pinto duro, com a cara enfiada na xoxota, vai se preocupar se ela está flácida ou ressecada!”

A ginecologista, obstetra e sexóloga Flavia Fairbanks, coordenadora do Projeto Sexualidade (ProSex) do Hospital das Clínicas de São Paulo, detalha que a mulher desconhece a vagina. Muitas pensam que se trata de uma cavidade perdida dentro do corpo, um saco sem fundo. Sem falar nas queixas de falta de desejo sexual.

“Isso não significa que elas não tenham desejo sexual agora. Na verdade, muitas não tiveram vida sexual adequada. Além disso,  a vagina, depois dos 50 anos, tem uma redução de camadas de pele, passando de sete para duas. E isso a deixa mais sensível, além de poder causar infecções.”

As vaginas vão muito além do corpo. Ganharam outra dimensão e se transformaram em exposição. Um artista britânico ousou ao criar The Great Wall of Vagina, uma obra de que inclui dez painéis, cada um com 40 vaginas em formato de gesso, expostas ao longo de oito metros de comprimento. Jamie McCartney, escultor e fotógrafo, recrutou cerca de 400  voluntárias para mostrar como suas genitálias são diferentes. Elas correspondem a uma identidade única. Ele registrou mulheres com vaginas pré e pós cirurgias plásticas de labioplastia. Incluiu órgãos de grávidas e após seus respectivos partos, de mulheres trans e gêmeas idênticas. Reuniu gente de uma ampla faixa etária, que vai de jovens de 16 anos a idosas com 76.
Sua obra, feita com recursos próprios, levou cinco anos para ficar pronta. Foi exposta pela primeira vez em 2011, em Brighton. De lá rumou duas vezes para Londres e também foi parar na Itália, na Triennale di Milano, na exposição Cama, Sexo e Design.
Sua obra gerou polêmica, provocando um debate, questionando se era uma homenagem ao clássico quadro do francês Gustave Courbet, L’origine du monde, pintado no século 19, e que faz parte hoje do acervo do Musée d’Orsay. McCartney diz em seu site que não se trata de erotismo, muito menos de pornografia. Para o público feminino, o painel permitiu ver a genitália de muitas mulheres, uma vez que a própria anatomia dificulta a visão da própria.